sábado, 11 de dezembro de 2010

No Cais do Sodré

Juntos caminhavam: um homem que se sente sempre sozinho e uma mulher que quer, desesperadamente, ser amada por todos.
Pano de fundo: Cais do Sodré e sua luz.
Foi isto que vi. Dois perdidos.

Rita

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"O Coração que é meu"


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Na minha rua existe um coração pintado no chão.
É visto por todos, é pisado por todos, é ignorado por todos.
Menos por mim. Sei quem o fez, quando o fez e porque o fez.
E mesmo quando a água da chuva levar o coração da calçada, vou guardá-lo na minha memória. Uma memória especial onde guardo tudo o que foi nosso.
Queria guardar-te em mim e em cada novo coração que encontro nas ruas de Lisboa. Mas este meio coração, o verdadeiro, que me faz sentir que estou viva, não me deixa guardar-te. Parece que está cheio de não sei o quê, ou demasiado vazio… Tão vazio que mesmo eu me perco neste infinito absurdo.
Absurdo, é também este limiar entre o amar e o não amar. Entre o querer viver tudo de novo, e o perceber que memórias são memórias e já não se consegue vivê-las.
Um dia já não estarei nesta rua. E o coração? Ficará? Ou o tempo tratará de o arrancar? Espero que não doa. Que não me doa, como dói agora a minha memória especial onde guardo tudo o que foi nosso.

Rita

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eternamente

"E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. veio a seguir o Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e das bungavilias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu.
E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que o façam deter."

in Nunca Te Deixarei Morrer David Crocket de MST

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Insustentável Leveza do Ser


Se ficarmos não seremos esquecidos. Se nos libertarmos, conseguiremos aguentar a leveza?


“Sentiu então um amor inexplicável por essa rapariga que mal conhecia… nunca conhecera ninguém assim. Não era nem uma amante nem uma esposa. Era como uma criança que tirara de uma cesta untada com pez e que poisara na margem da sua cama."

“Prossegue, portanto, o caminho com as suas vitelas… Teresa olha para elas e pensa (é uma ideia que a assalta irresistivelmente de há dois anos para cá) a humanidade é um parasita da vaca, tal como a ténia é um parasita do homem: está presa às suas tetas como um sanguessuga… Ainda tenho nos olhos a imagem de Teresa sentada no tronco, a afagar a cabeça de Karenine e a meditar no fracasso da humanidade.”


“Missão é uma palavra parva. Eu não tenho missão nenhuma. Ninguém tem missão nenhuma. E é um alivio enorme uma pessoa perceber que é livre, que não tem missão nenhuma.”

domingo, 19 de setembro de 2010

A Oliveira.

“Pareces uma azeitona acabada de cair de uma oliveira, com esses olhos e essa cor de pele”.

Tal como a azeitona, também eu caí. Caí na tua vida.

Mas hoje, neste jardim, reparo que tudo à minha volta está diferente: a relva já não está tão verde e a própria árvore, que agora sei que é uma oliveira, já não me oferece a mesma sombra. É o verão a ir-se embora e a levar com ele tudo o que nasceu entre as noites quentes e os dias tão inesquecíveis.

Rita