domingo, 6 de junho de 2010

Um excerto que me ofereceram. Perfeito.

"A meu ver, essas horas negras, em que de súbito o amor bate asas e mergulha, sem apelo nem agravo, até ao fundo do abismo para logo ascender em linha recta, devem ser enfrentadas sem receio, precisamente na medida em que o homem, mercê de um comportamento adequado, pode aspirar a reduzi-las no âmbito da sua existência. O que interessa, antes de mais, é que ele saiba com o que pode contar, caso se revele uma súbita incompatibilidade entre si e o objecto do seu amor: mas pressupõe esta incompatibilidade motivos profundos que desde há muito tenham vindo a minar o amor, ou será ela apenas o fruto de uma série de razões de circunstância, que nada têm a ver com esse amor? Desinteresso-me, desde já, pelo primeiro caso: estou a escrever O Amor Louco. Quanto ao segundo, em que me incluo, tenho a dizer que essas razões de circunstância deverão ser esclarecidas, que nunca se deve recuar, nem perante o intrincado da situação, nem, em última análise, perante o carácter altamente enigmático de algumas dessas razões. Dada a violência do embate que, quando eles menos o esperam, faz erguerem-se um contra o outro dois seres que até aí viviam em perfeito acordo e que, à primeira aberta, no dia seguinte, ou daí a momentos, serão incapazes de explicar a si mesmos esse seu reflexo, fruto da angústia e das suas gigantescas construções de papelão, no estilo das termiteiras, que, num abrir e fechar de olhos, se sobrepõem a tudo, creio que nos encontramos em presença de um mal já suficientemente diagnosticado para que lhe possamos detectar as origens e, posteriormente, dar-lhe remédio. Vemo-nos, uma vez mais, na necessidade de refutar a tão divulgada opinião de que o amor, tal como o diamante, se desgasta com o seu próprio pó, o qual se conserva em suspensão pela vida fora. Se é verdade que o amor sai indemne de tais desvarios, já o mesmo não acontece com o ser que ama. Esse ser está sujeito a sofrer e, o que é pior, a equivocar-se sobre as razões desse sofrimento. Tendo feito dádiva total de si mesmo, é levado a incriminar o amor, quando o defeito reside precisamente na vida."
"O Amor Louco" de André Breton

terça-feira, 25 de maio de 2010


Contigo fiz a maior, a mais intensa, e a mais bonita viagem da minha vida, e isso nunca esquecerei.

Obrigada por tudo o que me deste.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Morreste-me


Acabo de ler Morreste-me de José Luís Peixoto. E acabo também de levar uma chapada na alma. Ainda está doer. E depois de o ler, lembrei-me de uma frase que o meu pai um dia me disse: "Não há nada mais certo nesta vida que a própria morte". Tens razão pai.

"E não quero e não posso esquecer o que outrora senti no teu olhar. Pai, fiquei no silêncio do inverno que abraçaste. Não há primavera se não imaginar erva fresca das palavras erva fresca ditas por ti; não haverá verão se não imaginar o sol da palavra sol dita por ti..."

"Descansa, pai, dorme pequenino, que levo o teu nome e as tuas certezas e os teus sonhos no espaço dos meus... Sou capaz e vou trabalhar e vou trazer de novo o mundo aqui que foi nosso."

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Não tínhamos época nem propósito. (...) E assim nós morremos a nossa vida, tão atentos separadamente a morrê-la que não reparámos que éramos um só, que cada um de nós era uma ilusão do outro, e cada um, dentro de si, o mero eco do seu próprio ser..."
Vicente Guedes, Na floresta do alheamento (Livro do Desassossego)

sábado, 27 de março de 2010

Queria agarrar-te e dizer o quanto gosto de ti! Queria mostrar-te que o tempo está a passar por ti e a cada minuto perdes uma oportunidade de mudares a tua vida. Queria que te amasses mais, que percebesses o quanto és linda. Queria voltar a ter-te como te tinha… queria que soubesses que sinto a tua falta.

Dói.


Rita

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tempos Vagabundos


Tempos vagabundos são os tempos de espera.

O vento frio passa por mim.
Percorro uma estrada que me conduz a ti.
E sonho em ficar no teu silêncio profundo, onde posso sentir cada poro da tua pele.
Vagabundos porque não são tempos meus nem de ninguém. São tempos perdidos no espaço enquanto espero por ti.

Rita

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Jonas Mekas

Voz maravilhosa, imagens genuínas e autênticas. Texto lindíssimo. Jonas Mekas.